terça-feira, 16 de agosto de 2011

Enterrada viva..


Caminho no escuro, há algo no horizonte, eles trabalham arduamente, arrancando a dignidade daqueles que já não têm vida… corro ao seu encalço mas o caminho é longo e vai aumentando a cada passo como se de uma provação se tratasse.

Há ossos espalhados já sem carne que foi sucumbida pelos germes nojentos. O cheiro a morte invade minhas narinas… desmaio por instantes e saio de meu corpo, minha alma vagueia sem rumo, até que, me apercebo que não mais irei voltar… consigo ouvir ao longe pequenos sussurros dos indigentes que gemem pela ausência de vida de seus corpos imundos e já decompostos pelo tempo.

Me apercebo agora que meu corpo é levado, luto para que parem de enterrar meu corpo, luto para que se apercebam de que eu estou ali, que estou viva, mas que simplesmente minha alma vagueia pelo mundo, oiço o som de meu caixão a fechar e uma escuridão me invade, grito para que me oiçam, mas minha voz não é ouvida e tudo é em vão… volto agora a meu corpo já tarde demais, já a terra abafa meus gritos que se misturam com o tic-tac de um tempo que passa devagar... falta-me agora o ar e está escuro... o medo de morrer me invade e num acto de revolta marco meu caixão cravando nele minhas unhas... 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

..uma gota..

Uma gota, simplesmente um gota de sangue, que me trespassa o corpo e me prende ao chão.

Abro meu corpo com minhas mãos, sem dó de mim para ver minhas veias se dilatarem de raiva, podendo sentir-se agora o cheiro a morte que me rodeia, meu sangue se perde no chão esse que insiste em me chegar aos dedos, mas luto para que não mais chegue, mas a dor me impede de rasgar o que resta de meu corpo sem vida.

Mas sei, agora eu sei que és tu, só tu o culpado e sem medos te irei procurar na noite escura com dó de te poder encontra, pois, nesse momento abrirei teu corpo rasgando-o com minhas mãos, que ficaram cheias de sangue, esse sangue que tanto me embrulha num mundo que não mais quero estar, arranco tua alma e envio-a para um inferno só teu porque mais ninguém merece estar na tua horrenda presença, arranco também tua língua com meus dentes cuspindo-a no momento seguinte enojando-me com esse leve sabor doce de morte, da tua, só tua morte.

E neste momento de liberdade, grito aos céus de peito aberto e de mãos sujas que a tua morte foi aclamada e neste momento concebida.   

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nada..

Simplesmente nada fiz, mantive-me só, isolada, do mundo que me rodeava, em tempos amei e fui rejeitada, cresci e a vingança pedi.


E naquele momento quando te ví novamente, o nada me rodeava e aquele amor floresceu de novo e cai no fundo imundo de um completo novo mundo, e sem olhar para o que realmente me rodeava fui vitima de uma real injustiça talvez até de um de um desejo escondido,  tremi, e voltei a tremer até cair…

Mas levanto agora a cabeça, com dignidade, e de nada me vale chorar, nem sonhar porque sei que irei acordar rodeada de dor novamente…

Simplesmente desejei algo tão profundo como a paz tão 
celestial como o céu tão profano como a morte.. desejei o amor, o teu amor..mas este só me trouxe dor. 

domingo, 10 de abril de 2011

Não sei..mas apodreço!

Não sei se me amas, ou se me sentes…não sei se me vez… mas sei que te vejo, que te olho, e que meu sangue jorra por ti, se desprendendo de meu corpo nu de saudade…
...
Desmaio sobre meu sangue… fico imunda e é ali que fico, que morro! E que meu corpo apodrece … e de bichos sarnentos fica coberto, bichos que me comem que me desfazem em nada… reciclando a vida que 
nasceu dentro de mim e  que morre sem amar, que é comida sem saber o que é comer sem se engasgar…

..Vida...

Que olhares são estes que transcendem o meu viver sem tocar no meu verdadeiro ser! De pensamento tremulo, mas de mão firme escrevo por ti, VIDA! Que me fazes derramar meu sangue sofre o chão frio de pedra, que me rasga a pele e me congela a alma... 


Como é amargo o sabor de saber sofrer… sorrindo para um mundo a cada dia mais cruel…

Corto os pulsos....

Corto os pulsos de saudade, e sinto o sangue escorrendo-me pelas pontas dos dedos toco nas gotas e com a pouca força que me resta guardo-as para mim prendendo-as a minha mão, que brota sangue incessantemente, mas prendendo-as como se pudesse obriga-las a permanecer perto de mim mas elas escorrem-me por entre os dedos, e sinto o vazio, agora luto para me manter lúcida. Segurando a dor brotando apenas sangue mas nunca lágrimas, que essas sim matam o mundo.

...
Que fiz eu, que pensar neste momento, estou rodeada pelo sangue sem força para mais nada, tudo esta turbo, o sangue colha aos meus pés e estou agora perto de ti, desfaleço, subindo a um precipício inimaginável, mas não te toco estas longe de minhas mãos repletas de sangue, mas secas de amor te vêm ao longe.

...
E caminho sem saber para onde ir, simplesmente vou em direcção a uma miragem turba de teus olhos, como és belo. Sinto-me agora desprendida de tudo minhas mãos estão agora novamente limpas.

...
Como é doce te encontrar novamente ver teus olhos de repente, e o amor volta incessantemente.

MeDo


Sinto alguém perto de mim e não sei quem é, sinto alguém a tocar-me e não vejo ninguém, oiço vozes e não sei de onde vêem.
Alguém viu, alguém sentiu, alguém ouviu, só eu senti, só eu ouvi, o que ninguém sente.
O Medo de uma coisa que imaginamos mas que nós dizemos que não existe, mas será que não existe mesmo? Não sei mas tenho medo de descobrir.
Hoje, estava em casa e ouvi barulho nas escadas. Fui ver, não era ninguém. A luz da casa de banho estava acesa e apagou-se. Quem foi? Não sei, não vi ninguém… tenho medo do nada, de algo que talvez não existe. Por que é que as portas batem? As luzes se apagam? Ouvem-se passos nas escadas, não sei quem é. Será que um dia vou saber?
Tantas coisas diferentes para descobrir. Não tenho medo da montanha russa, nem dos carrinhos de choque, mas tenho medo do que não vejo, do que oiço, do que sinto, ninguém me percebe. Porque? Não sei! Mas tenho medo de descobrir….