terça-feira, 16 de agosto de 2011

Enterrada viva..


Caminho no escuro, há algo no horizonte, eles trabalham arduamente, arrancando a dignidade daqueles que já não têm vida… corro ao seu encalço mas o caminho é longo e vai aumentando a cada passo como se de uma provação se tratasse.

Há ossos espalhados já sem carne que foi sucumbida pelos germes nojentos. O cheiro a morte invade minhas narinas… desmaio por instantes e saio de meu corpo, minha alma vagueia sem rumo, até que, me apercebo que não mais irei voltar… consigo ouvir ao longe pequenos sussurros dos indigentes que gemem pela ausência de vida de seus corpos imundos e já decompostos pelo tempo.

Me apercebo agora que meu corpo é levado, luto para que parem de enterrar meu corpo, luto para que se apercebam de que eu estou ali, que estou viva, mas que simplesmente minha alma vagueia pelo mundo, oiço o som de meu caixão a fechar e uma escuridão me invade, grito para que me oiçam, mas minha voz não é ouvida e tudo é em vão… volto agora a meu corpo já tarde demais, já a terra abafa meus gritos que se misturam com o tic-tac de um tempo que passa devagar... falta-me agora o ar e está escuro... o medo de morrer me invade e num acto de revolta marco meu caixão cravando nele minhas unhas... 

1 comentário:

Anónimo disse...

Amei essa poesia! Passa exatamente o que a poetiza sugere... Confesso que me deu uns arrepios!